sexta-feira, 31 de outubro de 2014

se eu te contar tudo, ficas a saber o mesmo que eu...

As pessoas falam sempre daquilo que não conhecem. E estranham quando as pessoas não contam tudo, cada pormenor da sua vida.
Eu não gosto de partilhar. Conto quando tudo na minha cabeça está resolvido, tratado, e arquivado. Não gosto de falar da minha vida e se falo, é porque chegou a hora de saberem. Nem antes nem depois. Não gosto de pressões, de ultimatos.
Sei que os amigos são para as ocasiões e estou cá para os meus amigos. e sei que eles estão lá para mim. Sei mesmo! Mas sou assim..
E as pessoas não gostam. Não gostam de saber que há mais qualquer coisa. Porque sou muito expressiva, e se algo não está bem, nota-se no meu sorriso mais apagado, no meu silêncio.
Mas isso não significa que quero contar.
E calha que o meu marido é igual, e o meu filho também.
E depois as pessoas roem-se por não saber.
Toda a minha vida vivi com invejas, nem sei de quê. Quer dizer, sei! Inveja do que não sabem..
Não sabem que trabalho desde os 18 anos, que a minha mãe e pai trabalharam dia e noite para nos dar tudo. Isso não interessa. Interessa só que tenho o carro X, e a camisola Y.
Mas invejas de quem convidamos para nossa casa, isso sim, dói, custa. Porque esta pessoa sabe, ou devia saber, que trabalho, trabalhei, não faço gazeta, levanto-me as 7 da manhã e chego a casa às 20 horas todos os dias, raramente saio mais cedo do trabalho, e  passo tão pouco tempo com o meu filho.
E mesmo assim, não percebe porque tento aproveitar todos os minutos do resto do meu tempo para viver a vida.
Faço isto por mim, pelo meu marido, pelo meu filho, pela minha mãe e pelo meu pai.
Principalmente pelo meu pai, que infelizmente não pode gozar mais a vida e lutou muito para que eu o pudesse fazer..


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